domingo, 21 de março de 2010

Fenômeno meteoro(i)lógico

"Era branco, naquela vasta alvura
eu poderia adentrar lançado
Eu poderia ficar ali todo o tempo que passou
e ainda vai passar por este mundo
Seria capaz de nunca mais fechar os olhos
só para poder contemplar
sem perder um momento sequer
aquela opaca, densa brancura
Foi sem querer.
eu apenas ouvi o barulhinho afável,
virei-me para a janela e vi aquela senhora turva
espessa e fluida
enternecida numa claridade desconcertante
***
Na janela havia dedos do sol, foi arrebatador:
eu estive na Terra, naquela cidade, naquela tarde, naquele instante e pude ver
eu vi
não sei se verei novamente, mas não é preciso,
hoje estou com sorte.
Foi de repente que um vento soprou gargalhando e levou-a embora,
desfê-la diante dos meus olhos
dissipou-a.
O burburinho calou e agora ouço uma risada sádica,
o vento tomou seu lugar,
as cores voltaram.
Mas o sol, impassível no seu distante trono, continua a adentrar minha janela."
(mar/10)

quarta-feira, 17 de março de 2010

quinta-feira, 4 de março de 2010

Sem título VI

"Passou um guarda que me julgou suspeito
só passou, passou e olhou.
Mais à frente um casal aos beijos
O guarda passou e não os olhou.
Algumas pernas vêm e vão,
nenhuma dela fica.
Às minhas costas os carros rodam,
à minha frente uma sombra fina,
Eu não sei mais se estou aqui."