"A palavra mais bonita que conheço é liberdade.
Gosto tanto dela que não sei qual seu tamanho real,
Quero muito que ela me acompanhe,
Vou colocá-la no bolso!
Sei que assim não poderei trocar de roupa, mas
E se eu não tiver outros bolsos¿
Talvez precise me trocar...
Vou pendurá-la no pescoço!
Desse jeito ela fica vulnerável, alguém pode arrancá-la (eu posso)
Ela não pode ficar acorrentada, é contra a sua natureza.
Conheci-a há pouco tempo, mas como ela me cativou!
Há alguns dias a vi num livro, outro dia numa conversa, outra vez num olhar.
Confesso que nunca a vi por completo
Só pude vê-la de relance, o pouco que vi me fez achá-la
Belíssima
Tão bela que não pode estar acompanhada.
Onde vivo só encontro fragmentos seus
E é tão generosa, deixou-me um pedacinho de si,
Disse-me que era o suficiente
Resolvi deixá-la em casa, pensei melhor,
Não queria perdê-la;
Enterrei-a na pele e a deixei ser como era: livre.
Há alguns minutos descobri que ela viajou por mim
E encontrou morada num lugar agitado, tempestuoso
Para os momentos de fúria e gozo.
Também encontrou um lugar claro com uma lâmpada problemática,
Ela gosta mesmo assim,
Para os momentos de imaginação e reflexão.
Sabe, quando a lâmpada queima, ela busca clarear o ambiente e abre meus olhos, e é quando a amo mais."
(jan\09)
idéias híbridas, discursos espontâneos, expressão plural e vaga de uma mente pairante: não (chame de) arte
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Sem título IV
"No largo céu um facho cai
Pude divisar dois mundos
É água que dos olhos sai
Como um poço advém do fundo
Na estrada, estava eu,
E imenso, como o firmamento.
Pouco exprimi do que é meu
Formava-se semelhante em mim, o tormento
Assim como a chuva em silêncio
Distante de mim, vislumbrava,
Notei que era só parte dum todo
O céu guardava a água como um rio
Sem querer ela vazava
Em mim sua forma era de choro."
(out\08)
Pude divisar dois mundos
É água que dos olhos sai
Como um poço advém do fundo
Na estrada, estava eu,
E imenso, como o firmamento.
Pouco exprimi do que é meu
Formava-se semelhante em mim, o tormento
Assim como a chuva em silêncio
Distante de mim, vislumbrava,
Notei que era só parte dum todo
O céu guardava a água como um rio
Sem querer ela vazava
Em mim sua forma era de choro."
(out\08)
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Um arroubo pessimista
Tem sido difícil vislumbrar alguma perspectiva nesses últimos tempos. Essa minha doença que agora pude diagnosticar, posso vê-la agora como crônica. É que são experiências catalisadoras desse mal que me vêm acontecendo, ou melhor, que eu venho fazendo-as acontecer. Essa coisa de ler, de observar, de refletir, gera apenas dois resultados, ou você admite que cada vez menos compreende as coisas, mas persiste por alguma razão oculta a você mesmo, ou corrói o que existe de mais inoxidável em você. Alguma voz exaltada vai me dizer: "mas que disparate!", e eu: "Ei! Eu posso explicar..."
Quando se encontram duas idéias opostas a força de cada uma cancela a outra e entra-se em um impasse, não posso dizer que tais forças estejam extintas, mas sim travadas. Arrisco-me a dizer que isso é natural, o problema surge quando eu estou sendo prensado por essas forças, quando o que vejo e ouço e sinto vem violentamente contra aquilo que cultivo em minha mente (meu latifúndio fecundo - deixo essa explicação para outro dia,) contra os princípios acordados ente minha mente e eu, afinal é um trabalho de anos que temos feito, e simplesmente estão sendo humilhados, machucados. Quando percebo as atrocidades que as pessoas são capazes de fazer, sinto-me cada vez mais adoentado, e essas atrocidades nem precisam ser fatos como homens-bomba no Oriente Médio, o impacto de um comentário amargo em uma lanchonete me causa a mesma dor. Essa doença, se quer saber chama-se abalo de expectativas, nos termos mais vulgares, desilusão. Saber que as cabeças tem suas próprias idéias é maravilhoso, mas assustador também. Como esperar melhoras? Como vislumbrar um mundo mais justo, mais honesto, se não se vê o mínimo de respeito nas coisas básicas? Como esperar? Como??? Então concluo que estou doente, e na verdade eu sempre estive. Agreguei e agrego conhecimento, experiência, mas há sempre uma lacuna, e esta como disse Machado de Assis, só pode ser a falta de mim mesmo. Como me conhecer em meio a esse mar de coisas que nos rodeiam, como formar uma conduta, como entender um contexto, uma situação, uma outra pessoa? Não gosto de admitir, mas estamos numa sinuca de bico, como querer libertar as pessoas, suas mentes, sem que elas apelem para a animalidade, para o desrespeito? Como preparar todos para isso? Sei, sei, já estou fugindo da raia, me perdoe se este vômito digitado está te confundindo, ou se este texto não possui um eixo... O duro mesmo é se ver naquela prensa de idéias, e chegar a pensar que tudo está perdido.
E vem imediatamente o Renato Russo cantando: "quando tudo está perdido, sempre existe um caminho, quando tudo está perdido, sempre existe uma luz..."
Mas, saiba você que tem um bicho que vaga por mim, e esse bicho é danado de esperto, pois não deixa nunca que eu desanime. Eu sei que tudo que escrevo agora é agora, e agora é só agora, não acontece de novo.
Eu sempre soube que isso um dia chegaria, mas não imaginava que fosse tão repentinamente. Desculpe-me se não me fiz entender. Pode interpretar isso como crise existencial, como frescura, como alucinação, mas só posso garantir uma coisa: está doendo, e não posso ficar cego de dor.
Quando se encontram duas idéias opostas a força de cada uma cancela a outra e entra-se em um impasse, não posso dizer que tais forças estejam extintas, mas sim travadas. Arrisco-me a dizer que isso é natural, o problema surge quando eu estou sendo prensado por essas forças, quando o que vejo e ouço e sinto vem violentamente contra aquilo que cultivo em minha mente (meu latifúndio fecundo - deixo essa explicação para outro dia,) contra os princípios acordados ente minha mente e eu, afinal é um trabalho de anos que temos feito, e simplesmente estão sendo humilhados, machucados. Quando percebo as atrocidades que as pessoas são capazes de fazer, sinto-me cada vez mais adoentado, e essas atrocidades nem precisam ser fatos como homens-bomba no Oriente Médio, o impacto de um comentário amargo em uma lanchonete me causa a mesma dor. Essa doença, se quer saber chama-se abalo de expectativas, nos termos mais vulgares, desilusão. Saber que as cabeças tem suas próprias idéias é maravilhoso, mas assustador também. Como esperar melhoras? Como vislumbrar um mundo mais justo, mais honesto, se não se vê o mínimo de respeito nas coisas básicas? Como esperar? Como??? Então concluo que estou doente, e na verdade eu sempre estive. Agreguei e agrego conhecimento, experiência, mas há sempre uma lacuna, e esta como disse Machado de Assis, só pode ser a falta de mim mesmo. Como me conhecer em meio a esse mar de coisas que nos rodeiam, como formar uma conduta, como entender um contexto, uma situação, uma outra pessoa? Não gosto de admitir, mas estamos numa sinuca de bico, como querer libertar as pessoas, suas mentes, sem que elas apelem para a animalidade, para o desrespeito? Como preparar todos para isso? Sei, sei, já estou fugindo da raia, me perdoe se este vômito digitado está te confundindo, ou se este texto não possui um eixo... O duro mesmo é se ver naquela prensa de idéias, e chegar a pensar que tudo está perdido.
E vem imediatamente o Renato Russo cantando: "quando tudo está perdido, sempre existe um caminho, quando tudo está perdido, sempre existe uma luz..."
Mas, saiba você que tem um bicho que vaga por mim, e esse bicho é danado de esperto, pois não deixa nunca que eu desanime. Eu sei que tudo que escrevo agora é agora, e agora é só agora, não acontece de novo.
Eu sempre soube que isso um dia chegaria, mas não imaginava que fosse tão repentinamente. Desculpe-me se não me fiz entender. Pode interpretar isso como crise existencial, como frescura, como alucinação, mas só posso garantir uma coisa: está doendo, e não posso ficar cego de dor.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Um punhado de coincidências
Longe está o que se sucede
Aos filhos surrados e de má sina do Brasil
Mãe! Gritou um deles,
Mãe! Gritaram todos
A mãe não ouviu,
Estava, por acaso, a sonhar
Apoiada na janela empoeirada
Esperando o marido futuro passar.
***
Os primogênitos estavam no solo:
Foram se juntar aos vizinhos
Para brincarem de esconder,
De tanto brincar, se perderam
E nunca mais se acharam.
***
Para os filhos do meio,
Esconder era nada:
A mãe deu-lhes o anseio.
Eles, de tanto esperar,
Dormiram na calçada.
***
Os caçulas, um dó
Os outros irmãos lhe tomaram um pião,
Depois uma boneca usada, depois um tratorzinho,
Pra vender na esquina
E comprar picolé e naftalina
***
A mãe, jovem, velha estava
E a poeira da casa toda
De tanto pesar nas teclas do piano
O fez tocar
E os bebês, sonolentos ouviam
O som
E a melodia doce e calma
Fundiu-se ao choro
***
E nesse inebriante estapafúrdio
Só escutou aquele que o queria escutar
E aquele que se queria escutado
Tombou cansado e desembestou a sonhar.
(out/08)
Aos filhos surrados e de má sina do Brasil
Mãe! Gritou um deles,
Mãe! Gritaram todos
A mãe não ouviu,
Estava, por acaso, a sonhar
Apoiada na janela empoeirada
Esperando o marido futuro passar.
***
Os primogênitos estavam no solo:
Foram se juntar aos vizinhos
Para brincarem de esconder,
De tanto brincar, se perderam
E nunca mais se acharam.
***
Para os filhos do meio,
Esconder era nada:
A mãe deu-lhes o anseio.
Eles, de tanto esperar,
Dormiram na calçada.
***
Os caçulas, um dó
Os outros irmãos lhe tomaram um pião,
Depois uma boneca usada, depois um tratorzinho,
Pra vender na esquina
E comprar picolé e naftalina
***
A mãe, jovem, velha estava
E a poeira da casa toda
De tanto pesar nas teclas do piano
O fez tocar
E os bebês, sonolentos ouviam
O som
E a melodia doce e calma
Fundiu-se ao choro
***
E nesse inebriante estapafúrdio
Só escutou aquele que o queria escutar
E aquele que se queria escutado
Tombou cansado e desembestou a sonhar.
(out/08)
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