domingo, 20 de junho de 2010

Eu sou todos, todos não são eu

"A minha lucidez mais uma vez me aventou idéias rotas, é que não sei que coragem é essa, que ímpeto é esse para o que antes era frio, distante e prosaico, sei que fiz. Fiz beijar e abraçar, rir e sussurrar. Fiz o que fazem os seres de minha espécie, não pude evitar. Fiz gosto. (Dizem mesmo que o deus Eros está difuso na alma dos hedonistas, e assim, desmembrado em seres humanos, ele está manco em si). Houve então uma súbita pausa no setor calculista e desconfiado que me governa; eu me encontrava envolto em pessoas - eram do mesmo tempo cronológico que eu - em sons, e só um instante foi o que bastou, e minha lucidez comigo, todo o tempo. Há quem diga que não há nada mais natural (para mim, poucas coisas o são de fato) que o encontro entre dois. Que eu me renderia um dia, mas não evito as ardentes e pululantes questões em minha mente: que busca insana é essa pelo carinho, pelo afeto (?), pelo corpo alheio? Que insatisfação é essa que pulsa nas mãos, no peito, na boca, na cabeça, que clama por se tornar satisfeita? Mas é apenas um sentir... material. É pouco. A sensação física está aquém do sentimento, o problema está na ordem de chegada, na prioridade atribuída. Enquanto eu viver no mundo das significações, dos porquês, das causas e conseqüências, vou conhecer, desprezar o vazio. E foi o vazio."
(jun/10)

2 comentários:

  1. Oi Viviane...

    como vc escreve bem! Lindo seu texto... do tipo que a gente lê duas ou três vezes, sempre descobrindo coisas novas e sempre achando que não entendeu nada...

    Vou colocar seu blog nos meus favoritos...

    Beijos
    Giovana

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  2. Oi, meu nome é Allisson, sou amigo da Ana Elisa.. precisava de um FAVORZÃO seu. Tem como me mandar um email o quanto antes possivel, que eu te explico? allissonventura@gmail.com , OBRIGADO.

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