Quando, há tempos, eu comecei este blog, o projeto-piloto previa que fosse sobre vários assuntos do mundo, alguns poemas, outras reflexões engajadas, outros textos críticos. Admiro, de verdade, pessoas que têm sempre o que escrever, e discutem, e expressam opiniões, e se tornam especialistas nos mais diversos assuntos importantes deste mundo. Eu queria ser assim. Mas não sei falar das idéias dos outros, só das minhas – e olhe lá.
Quando estou “por aí”, pelo mundo, eu vejo, penso, zil coisas, e por vezes não tenho tempo, paciência, ou mesmo caneta e papel pra escrever (problema que resolvi colocando uma caneta e um tantinho de papel em cada bolsa minha). Às vezes são idéias geniais, outras vezes são abjetas. Mas são idéias!
[Nunca jogue fora uma idéia, alguém pode nunca ter pensado nela, ou ninguém pode ter pensado nela – alguém e ninguém são entes perigosos, e insistem em ficar por perto: cuidado com eles.] Bem, chega de bancar a bula de idéias.
Então, as minhas, ora soam como grandes revelações, ora como pequenos rompantes supostamente descartáveis, vulgo: idiotices. Eu venho aqui por diversas razões, para (tentar) compartilhar meus pensamentos, minhas insanidades, não para auto-promoção – mesmo porque: o que está no contrato mesmo, senhor diretor? Ah, sim! Nada de mercadológico.
Ok.
Só idéias que me parecem merecedoras de serem escritas, que eu necessito escrever.. não adianta só pensar, só falar, só fingir que não existem, eu tenho a aguda ânsia de escrever, é quase uma sanha que não cessa. Desde há alguns poucos anos. Não quero que parem nunca. É um jeito de eu me lembrar de mim, de me preservar hoje (e hoje não é sempre hoje! Vejam só que perigo se o perdermos!!!), de olhar para a minha e só minha história e saber que caminho trilhei, que vias deixei de pegar, a quais atalhos renunciei.
Eu não sei escrever bonito também. Não sei rimar, nem fazer soneto ou colocar métrica nas minhas palavras (é... depois de um tempo você as usa tanto que as toma para si), nem fazer comparações mirabolantes. Não é preciso que alguém leia isto, julgue, aprove ou mesmo goste (!), eu finjo que alguém lê porque assim exercito minhas capacidades cognitivas, organizo minhas idéias, crio relações entre elas. Tento deixar claro e límpido o que em mim está tão obscuro e emaranhado, só isso.
Eu só quero desafogar eu mesma, e não acho que isso seja diagnosticável como solidão- depressão-misantropia, “coisa de quem não tem amigos” – pode até ser isso também, mas o propósito é apenas ver minha criação em outro lugar que não em mim, um diálogo mudo, eu falo, meu interlocutor é o papel escrito por mim, e isso é o bastante. Me alivia, me torna mais leve, me liberta.
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